Diferente dos outros posts, esse não vai ser engraçado, muito menos curto. Nesse eu vou falar de uma lição que aprendi essa semana, e que todo mundo deveria aprender, o quanto antes.
Eu sou órfão de pai, desde os meus 7 anos (atualmente tenho 25). Minha mãe criou sozinha a mim e ao meu irmão, uma guerreira, sério, o Aragorn não duraria cinco minutos contra a minha coroa. Nossa vida sempre um tanto quanto difícil, graças a Deus nunca passamos necessidades, mas apertos, sufocos e afins…Ah, esses tivemos aos montes. Tive que aprender muito cedo o significado da palavra “preocupação”. Cresci assistindo minha mãe fazendo o possível e o impossível para que nada nos faltasse, implacável, indestrutível, incansável…
Procrastinação? Desânimo? Tristeza? Bem, essas palavras não faziam parte do vocabulário dela, 25 anos “nos couros” e eu nunca vi minha mãe reclamar de uma coisa sequer em relação a vida dela, nem mesmo da morte precoce do marido que ela tanto amava. Reclamava de sujeira, da bagunça, das notas baixas…mas da vida? da família? do trabalho? Não, de forma alguma.
O tempo passou…Eu? Eu me formei, arrumei um bom emprego, ainda não era casado na época….Meu irmão entrou na faculdade, conseguiu um estágio…E a minha mãe? Bem…a minha guerreira finalmente cansou. Isso foi a uns 4 anos atrás, um dia ela não estava se sentindo muito bem, nós a levamos ao médico e depois de uma série de exames, descobrimos que não era problema com o corpo e sim com a mente.
Naquela época eu tinha uma visão bem errada sobre depressão, na minha cabeça aquilo era doença de rico, de gente que tinha tudo e não sabia como aproveitar…É, eu estava errado, mas veja bem, eu estou falando de depressão de verdade…não daquela sua tristezinha porque aquele rapaz comeu você e desapareceu, não daquela derrota do seu time que te deixou pra baixo, e não daquele desânimo que você sente porque tem que acordar cedo…
A princípio eu não quis acreditar, como pode aquilo acontecer?! Justamente quando estava TUDO BEM, sem mais apertos, sem mais preocupações gigantescas, quando finalmente ela poderia contar com a ajuda dos filhos em relação as despesas que tantas vezes tiravam o sono…Passei alguns dias meio que paralisado, sem chão…
O tratamento é ruim, é árduo, é longo…atinge que está passando por ela, e também (e como) quem está em volta. Foi um período difícil, infeliz, e difícil de acreditar que estava acontecendo. Foi então que eu comecei a mudar a minha visão em relação a vida…
Mais tempo se passou, os remédios pararam, e aparentemente a doença simplesmente foi embora. A paz e alegria pareciam reinar novamente.
Eu? Eu me casei com uma mulher maravilhosa, sou sócio de uma boa empresa, meu irmão está quase se formando tem um trabalho fixo e promissor. Tudo o que sempre minha mãe sonhou…
Há alguns dias, o pesadelo voltou! É meus amigos, fomos surpreendidos novamente. Ela teve um nova crise, e ficou igualzinha como há alguns anos atrás. Mas dessa vez agimos mais rápido, fizemos como manda o figurino. Já sabíamos a causa e como iniciar o tratamento o mais rápido possível. E com o que? Remédios são necessários, infelizmente, mas a principal arma dessa vez, se chama ALEGRIA. Minha mãe tirou uma licença do trabalho e foi passar alguns dias com a família. Falei com ela hoje, e olha, é OUTRA PESSOA, está contente, falante, esperançosa. Sabemos que infelizmente isso não significa cura, que teremos que ser cautelosos, que teremos que continuar indo aos especialistas. Mas uma coisa é certa, esses poucos dias que ela está com a família deram MUITO mais resultado do que os remédios deram da primeira vez, que infelizmente ela não quis tirar licença na época.
O que aprendi com tudo isso?! Aprendi que acima de qualquer preocupação, a gente tem que ser feliz, tem que ter prazer na vida, tem que viver…não adie a suas alegrias…lute, mas saiba a hora em que a batalha termina, pois todas elas terminam. Sempre tem uma bonança entre uma tempestade o outra, aproveite esses intervalos. Vá ao cinema, a praia, visite os amigos e a família, faça coisas que façam você se sentir vivo. Sempre deve existir um tempo para se fazer isso, até a pessoa mais ocupada do mundo, tem um intervalo. Não espere a vida passar, porque ela passa, e sem pedir licença. Porque uma hora, até o guerreiro mais incansável, vai cansar.
